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Trem da vida

  O trem já estava com alguns minutos de atraso.E seus olhos cheios de lágrimas. Não via a hora de partir. Para tentar uma nova vida em um lugar desconhecido.Quem sabe ali poderia esconder um pouco das suas angústias? Ou mesmo esquecer as partes mais tristes que vivera nas histórias daquela maldita cidade.Que tirara dela o amor pela vida.E o brilho sutilmente luminoso que existia em seu olhar.O trem já chegando.Malas postas uma a uma no bagageiro.Sensações de alívio e pesar misturam-se em seu coração.E segundos antes de adentrar o vagão.Consegue perceber a grande dúvida da sua vida:que dor está doendo mais? A dor do que já teve e perdeu ou do que não teve e jamais perderá? E constatar que perdeu completamente o encanto da espera.E que agora nada mais ela possuia.

Louca de amor

  Se partiu para um outro romance.Ele nem ao menos percebeu.Aquela mulher mergulhava tão fundo em seus amores.Que era quase um misto de loucura e desespero a dor que sentia ao findar uma história.Mas o fantasma do jovem homem a perseguia por todos os cantos .Embora para ela fosse apenas mais uma descartada de sua imensa lista de mulheres seduzidas.A marca daquele amor cravou feito amolada faca no seu peito de mulher que ama de verdade.Roupas espalhadas pelo quarto.Copos quebrados com doses que ela nem mesmo provou.Seu telefone a tocar sem ser atendido há mais de duas semanas.A solidão a levava ao poço profundo da armagura.O cheiro dele estava no ar.As mãos dele em seu corpo.E a voz suave em seus ouvidos repetindo palavras.As que ela tanto gostaria que não tivessem silenciado de seus lábios de homem insensível.

Amor no espelho

  Entre tantos espelhos já mirados.Aquele teve algo de mágico.Era uma noite maravilhosa e os brindes já tinham sido feitos.O vinho era da melhor safra e os aperitivos requintadíssimos.O que mais poderia faltar? Os olhares ao se cruzarem transmitiram a paixão e o amor .Todos os instantes deveriam ser vividos como preciosos.Foram muito anos esperados para aquele encontro.A música tocando suavemente tornou o clima ainda mais propício.Foram noivos numa primavera da década de 90.Mas muitas pessoas e fatos os afastaram cruelmente.Lisa era o apelido que ele dera a ela.Apesar de toda a família sempre a chamar por seu noe de batismo.Beatriz Lisandra.A nobreza que a envolveu a vida inteira a fez soberba.Mesmo com tanta pompa.Cultivou o ar de menina e o coração sangrando de amor por Leonardo.Gentilmente chamado por Leo.Seu rosto não era mais de um rapaz.A barba grande já estava grisalha.E o seu sorriso era menos brilhante.Ao sabor do vinho e entre o calor da vontade d...

Asas de anjo

  Pouco lhe serviram as asas.Tudo levava ao rosnar da estranha e conflitante realidade Podia mesmo pressentir o que acometeria.Mas arrebatar todo aquele mal seria impossivel. Todas as tormentas e conflitos o feriram terrivelmente.Rumores ou simples gestos de tantos transeuntes o incomodavam mais e mais.Apontavam para ele como se tivesse que salvar o mundo. Abrigar dentro do peito todas as dores.Mas ele derramou uma comovente lágrima e bradou solenemente: __Eu não dou Deus!!!

Tolice

  Fala tranquilamente com ela.Não percebe que tudo que dizes é inteligível ou inatingível até? Ela adormece numa atmosfera ano luz da sua.E só enxerga a neblina das aparências.Que ouve apenas os clamores do seu egoísmo.Em torno do seu umbigo ela constriu um mundinho tão tolo.Parece que uma roda gigante a tonteia.Permanecer nessa estrada do não chegar a lugar nenhum é sua meta.Alienada então .Na tentativa de anestesiar  a dor de ter que encarar a vida de frente.

Outras notas

  Foi um certo tom musical um verso incontido de música .Que foi pouco a pouco o deixando alucinado.A música tem mesmo esse poder.Feito substância inebriante que aproxima. Falou de amor de carinho e de sonhos.Mas o coração feito pedra estava mesmo bem longe.Pousou entre as notas musicais e beijou intensamente a amada noturna.Que ao amanhecer estaria em outra viagem.Com poucas bagagens nem conseguiu refletir.Entre a carência e o vício.Fechou as possibilidades do infinito e entregou-se aos delírios que há na música.

Corpo & alma

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Apegou-se tanto àquele amor.Que dia após dia esperava por ele na porta daquela casa de praia.Onde o cenário era tão perfeito.Que as lágrimas escorrem convulsivamente dos seus olhos só de imaginar o fim.Amor daquele jeito tinha cheiro e gosto de eternidade.Mas a profecia das mal amadas conspirou contra Ananda.Transformando o seu doce sorriso em amargo .Suas mãos que sempre dançavam ao acampanhar o seu amado em suas músicas agora estavam paralisadas.Julgava-se imperiosa.Dona de um palácio que jamais ruiria.Ananda a rainha soberana que reinaria ali para sempre com seu amado.Agora subjulgada a todo o desencanto que há na perda.Uma dor que entra pelos poros e não sai nem do seu corpo e nem da sua alma.

Sem saída

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Sentindo-se engaiolado naquela situação.Sempre foi um homem sensato.Cultivava o hábito de ser livre desde criança.Mas dentro daquela história havia algo que o sufocava terrivelmente.A vida pregou-lhe uma peça.Não sabia a quem recorrer.Isolara-se de todo o mundo desde que conheceu Alessandra.Uma mulher poderosa que sabe dominar a todos que a rodeiam.E ele tornou-se sua presa há três verões em Londres.Ela fazia parte de um grupo de amigos que os apresentaram.O que havia nela que o deixava sem reação?Onde estava aquele homem que sorria ? Tinha amigos e amores com alegria e tranquilidade.Teria mesmo que partir naquele lugar sem dizer nem ao menos um adeus.Caso contrário estaria negando para sempre o seu direito de viver a vida em sua plenitude.

Clausura

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Era quase um silêncio assustador.Porque ainda ouvia os estrondos de seu medo ecoando em seus ouvidos.Vozes vindas de outras épocas.Palavras que ficaram cravadas nas interrogações do tempo.Deveriam ter sido ditas ou acorrentadas mesmo na prisão da indiferença?Enclausurou-se naquele convento por ter perdido todo o contato com a sua essêmcia.Sacerdotiza ou mulher mundana? Pouco importavam os tais rótulos.Solidão e silêncio ocupavam agora sua mente aprisionada.

Fim de noite

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Na verdade são rabiscos que nasceram do simples gesto de quem tomou até o último gole das dores de amor.Embriagou-se então.Naquele bar que já havia passado da hora de fechar.O homem já quase grisalho,nem se dera conta que o seu tempo passou e arrastou seus mais doces sonhos e fez dele um bebum qualquer.Era poeta,apreciador de boa música,mas principalmente um jornalista bem sucedido,ou mal sucedido,depende da interpretação que se quiser dar.Mas o fato é que antes mesmo dos fatos serem registrados ele já os anotava e relatava em primeira mão.E quando o fim da noite chegava.Esquecia de tudo,da profissão,da família,das finanças e das crenças.Debruça-se sobre o balcão e entregava-se totalmente ao luto do seu coração.

Mergulho

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Há bem poucos dias ela encontrou a porta aberta para um grande amor.Mas nem soube como entrar nela.Foram tantas as desilusões já vividas que a dor fincou-lhe o coração e o fez sangrar horrores.Sorrisos tolos,gestos encantadores,que tornaram-se tormentos.Chaves falsas entregues por um homem que tinha na verdade um cofre no lugar do coração.E ainda por cima era um cofre vazio.E um rio é pouco para acolher as lágrimas dessa mulher.Pelo sal do gosto que escorreu-lhe na boca.Há de existir um mar onde ela mergulhe todo esse desamor.

Revelando-se

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Tentou mesmo perdoá-lo.Mas as terríveis lembranças a perseguiram por anos e anos.Então resolveu amargar no desafeto.E emoldurar todas as suas fotografias retirando os seus rostos.Ficaria mais leve não ter que rever os sorrisos que jurava serem verdadeiros.Os tantos beijos que tiveram sabores de eternidade.Olhares perdidos entre um outro clique.Todos descaracterizados por sua intervenção.Eram tantas juras de amor retratadas.Passeios a lugares maravilhosos.Cafés e doces compartilhados nas mesmas mesas.E as festas com músicas e danças registradas teriam apenas os corpos e seus traços sem identidades comprovadas.Anônimas lembranças.Repetidas doses de esquecimento.A dor não mais caberia em seus braços.E ela por fim poderia abraçar-se e perdoar-se por inteira.

Cara e coragem

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Seguia seu instinto de caçador.Homem livre que saboreava a liberdade em cada gole da tal coragem.Coragem era porta escancarada pra enfrentar a briga que o destino travava com as aparências. E o mundo assim rodava no sentido mais espontâneo que a vida permitia.E nessa ciranda rodavam seus sonhos de menino que queria um amor eterno.Que começou a contentar-se com lampejos de paixões.Urgentes como seus desejos.Mas seus bons sentimentos o adormeciam docemente. Grande abraço verdadeiro ainda desconhecia.A boca que o beijará um dia.A mulher que o marcará com a força da eternidade.

Dor guardada

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Era um dia especial.E  toda a sua vida passou como um filme em sua mente.Detestava anúncios e alardes que evidenciassem a sua dor.Já não bastavam as lembranças diárias rondando e os tristes pensamentos noturnos?Era quase um ritual.Contemplar a felicidade distante e guardar um segredo no lugar mais seguro que existia : no seu coração.

Mãos na janela

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Suas mãos se encontraram do lado de fora da janela.Os olhares se uniram também.Mas seus destinos estavam separados por anos e anos de diferença.O tempo inimigo ativo e amigo fiel contagia e não consegue perdoar.Mesmo que quisessem ser perdoados.O pecado os rodeou por muitas noites .De algum canto do céu na vastidão de uma noite estrelada:Deus os libertou.

Sem adeus

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Dizer adeus é comportamento de quem parte e deixa um pouco de si .Tem esperanças de poder voltar. Queria um reencontro maravilhoso com brilhos e tudo mais que o amor pode proporcionar. Mas foi em vão que esperou.A noite tornou-se dia e ela percebeu que o seu querer não foi compartilhado.Ele partiu pra bem longe e por estar mais distante do que o imaginavel.Mal olhou nos seus olhos repletos de lágrimas por desejar um adeus.

Nova era

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  Por quê se escondeu da vida nesse jogo confuso de quero sempre me sair bem de qualquer situação? Há lances onde perdemos mesmo e daí?Que mal há na derrota? Não se ganha sempre mesmo.Caça hoje o caçador mas no outro dia ele poderá ser caçado por ela.Enfrenta o final do tempo e renova teus pensamentos.Assim como o começo de uma nova era.

Andarilho

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Colocou na balança e a dor pesou mais.Os tantos deliciosos momentos ficaram distantes.Bem perto do esquecimento.Tornou-se desde então um andarilho.Sem rumo sem endereço certo e com os sentimentos todos esmagados dentro do peito sangrando como ferida aberta,que só ele sentia e tentava estancar quando a noite caía e o silêncio e a escuridão o convidavam ao sofrimento.No dia seguinte rosto lavado.Olhava para os rostos das pessoas estranhas nas ruas .E cumpria o seu destino de peregrino do nada.Coração imune a qualquer verdade.Ilusão era palavra extinta do seu vocabulário.

Rumo certo

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Tentou abandonar aquela mulher como se ela fosse uma lata que restou da bebida consumida.Ela chorou derramou prantos e lágrimas tão quentes que a morte quase apertou seu coração.Mas ela clamou aos santos e anjos guardiães dos derrotados e eles a ouviram e cuidaram de amenizar sua dor.Não é assim que um amor de tantas temporadas termina.Cruel palavra ato insano porque a escolheste se não era sua verdadeira eleita?A vida deu-lhe provas de que seria duro viver sem ela.Ela te alertava te protegia te rumava e te dava tanto amor.Que nem dá pra acreditar que consigas dormir sem os braços seguros dela.

Bravo Guerreiro

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   Guarde seus medos para si mesmo, mas compartilhe a sua coragem com os outros.      Robert Louis Não sou um insensível cavalheiro que vive pelas trevas da vida aguardando o momento exato de ferir mortalmente o seu inimigo.Sou guardião seguro que embainha a espada com galhardia e firmeza.E entre as matas enigmáticas adentro destemido.Porque a morte já conheci bem de perto.E a vida destroço e desvendo nas profundezas do meu ser.