Monday, August 17, 2015

Fim de festa



Na mesma rua todas as noites aquele olhar felino a seguia.
Uma sombra de dúvidas povoavam sua mente.Seria de carinho ou desprezo aquele olhar?
Um misto de paz e amargura tomava conta de seu peito quando passava por ele.Sempre tentando não encará-lo.Mas uma espécie de ímã a levava a encontrar o seu olhar.Nuvens percorriam o céu prenunciando um terrível temporal.Era uma noite especial para todas as famílias da aldeia.Noite de festejos e encantos.E aquela mulher solitária perdeu-se da sua família há bem mais de trinta anos.O Natal era a noite mais difícil de todo o ano.Ela fechou os olhos a imaginar que aquele felino seria o único a compartilhar da sua solidão.Choveu bem antes nos seus olhos.E resolveu atravessar a rua pela última vez.

Friday, July 31, 2015

Pássaro poderoso



Não bastou -lhe possuir asas.Teve que ser pássaro e alçar voos.Uns breves .Outros mais longos.Reiventar a vida a cada investida.E como o canto era suave demais.Pouco era ouvido por outros animais que habitavam aquela enorme floresta.

Monday, January 26, 2015

Viver plenamente!

 
Quero apenas cinco coisas...primeiro e o amor sem fim...
a segunda e ver o outono ...a terceira e o grave inverno.
Em quarto lugar o verão ...a quinta são teus olhos...
Nao quero dormir sem teu olhos.
Não quero ser...sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando
                                     Paulo Neruda











Ao contrário de Neruda ...nao abrirei mão da primavera.Porque contém flores primeiras que enriquecem muito mais o amor.Pensei em abandonar o inverno por trazer em sua essência a frieza de todas as outras estações .Ou mesmo o vento outonal que arrasta todas as vontades dos olhos dos que acreditam.Tentei eliminar o verão ...seu denso sol e seus infinitos matizes que ressecam as ilusões de um poeta.mas descobri maravilhada.Que para amar...não se pode abandonar nenhuma estação .Porque no amor há espaço para todas elas.o amor expande nossos corações ...para uma vida tão próxima da plenitude!!!

Friday, January 23, 2015

Longa espera

 
O tempo costumava passarem lento quando ela o aguardava.Era uma espécie deserto na alma.Um sol que castigava e danava o solo.Condenado.a a infertilidade.Dimensoes tao desiguais essas dos sentimentos.Uns amam tanto e outros amam quase nada.Uns se entregam inteiramente na errada medida.No exagerado apego que arrasta para um lugar sombrio.sufocava?se em lágrimas quando ele não vinha.sua felicidade inteira cabia nas mãos daquele homem?Os seus melhores instantes pertenciam a ele.e aquela ausência doía muito mais quando anoitecia?Porque as noites despertavam fantasmas adormecidos....na claridade das aparências diárias.

Monday, April 14, 2014

Sonhos de menino

 



De que são feitos seus sonhos pobre menino?Indagou aquele nobre idoso para o menino maltrapilho.Era noite de inverno e o frio entrava por todas as frestas das janelas.E o menino quase adormecido pela fraqueza do corpo faminto e pelo peso que a noite traz.Disse quase murmurando: meus sonhos são construídos com pedaços de outros sonhos que quase perdi.

Thursday, November 28, 2013

Súplicas

 


Ela orava fervorosamente todas as manhãs naquela mesma capela.O povo da cidade até conhecia os seus passos.Não houve um só dia de calor.Alguma tempestade ou vento forte que a privasse do ritual.Foram tantas temporadas de fervor.Lágrimas implorando por um milagre.Somente um milagre a poderia salvar de todo o seu martírio.Maria da capela alguns a chamavam pelas ruas das cidade.E ela com o olhar sempre perdido e um leve sorriso nem se importava.Cumpria sua penitência .Como quem busca o inatingível.E o tempo imperou.E naquela manhã de  outono .Aquela fiel mulher não aprecera.Burburinhos surgiram.Onde estaria a Maria da capela? Já aproximava-se o cair da tarde. E meia dúzia de curiosos encaminharam-se para a sua casa.O que de tão grave a impediu a sagrada visita matinal?O que teria feito Maria nessa manhã outonal?E ao chegar na ladeira que dava para sua casa.Uma intensa fumaça foi sentida e avistada.E a casa onde Maria morava estava completamente carbonizada.E em um dos cômodos ao lado de centenas de velas.Maria da capela estava abraçada a uma criança com um par de muletas ao seu lado.

Saturday, November 02, 2013

Luto na alma

 





Mesmo com o belo dia de sol.Ela enclausurou-se em seu sombrio quarto.E resolveu por fim que seria um dia de luto.Todos a chamaram por várias vezes para a festa.Mas a dor da perda latejava ainda em seu coração.E nenhuma canção poderia abrandá-la.Jovem e solitária.Rica e infeliz.Nenhum vestígio de felicidade restou-lhe no olhar.Uma espécie de feitiçaria ocupou-lhe a alma.Tal qual punhal cortante e visceral.Não pôde resistir ao baque que a vida ofereceu-lhe em bandeja de prata.Taças de cristais.Luas encantadas por todas as fantasias mundanas.Adormeceu ao som da chuva fina que batia em sua janela fechada.Vontade explodindo de fugir para os dias que escaparam -lhe sorrateiramente.